Os translúcidos são das cores que geram mais dúvidas/problemas: muitas vezes ficam amarelados ou com um efeito flocado indesejado.

Decidi então testar os translúcidos das várias marcas para tentar perceber as diferenças entre eles.  As marcas testadas foram: FIMO, Sculpey, Cernit e Pardo. 


1º ponto acerca dos translúcidos: tal como o nome indicada, estas são cores translúcidas e não transparentes. Não é exceptável que se obtenha um efeito tipo vidro. Quanto mais fina for a peça mais translúcida será, mas nunca perfeitamente transparente.




Um dos principais problemas da massa translucida é o efeito flocado (efeito plaquing) com que fica muitas vezes.  Este efeito resulta de pequenas bolsas de ar que ficam aprisionadas no interior da massa. Nas cores sólidas este efeito também está presente mas não é visível. 

(Há quem defenda que não se tratam de bolsas de ar mas sim de pequenas rachaduras devido ao choque térmico. Não duvido que estas rachaduras possam também aparecer, mas as bolsas de ar parecem-me inegáveis, por vezes até se notando à superfície da peça.)


De forma a tentar contornar este problema, amassei a massa o mínimo possível, apenas o necessário para esticar com a espessura desejada, neste caso 2mm. Geralmente é recomendado que se amasse e prepare muito bem a massa, mas neste caso abri a excepção. 

A Cernit nesta altura do ano, devido ao calor,  já está tão amolecida que praticamente não necessita de ser amassada antes de esticar. 
Já a Pardo é uma massa que naturalmente é difícil de trabalhar, que esfarela muito e necessita de alguns minutos para ficar no ponto certo. Se acham que Fimo é díficil, a Pardo é um verdadeiro desafio!


Embora cada marca tenha a sua recomendação de temperatura,  para simplificar o teste cozi todas as amostras à mesma temperatura: cerca de 120º durante 30 minutos.

Regra geral cozo a massa sempre em forno pré-aquecido, mas para este teste decidi fazer de duas formas: coloquei as primeiras amostras no forno ainda frio e as segundas amostras apenas quando o forno atingiu os 120º. Durante toda a cozedura mantive as amostras cobertas com uma folha de papel de alumínio.




Com o teste de forno frio/ forno quente pretendia testar se o aumento progressivo da temperatura faria reduzir o efeito flocado versus o choque térmico de colocar as amostras logo em forno quente. Curiosamente não notei praticamente diferença nenhuma, o que me leva a crer que o grande factor para o efeito flocado serão as bolsas de ar que vamos introduzindo na massa à medida que a vamos amassando.

 Por isso nos próximos tempos vou fazer mais alguns testes para perceber se o tempo que amassamos a massa será ou não o factor decisivo para o efeito flocado, já que o choque térmico não me parece ter tido um efeito muito relevante.




O teste com a marca FIMO deu um óptimo resultado! Massa perfeitamente branca, sem qualquer tipo de amarelecimento e com uma quantidade aceitável de bolsas de ar no seu interior.  Talvez a marca tenha feito alguma alteração na composição desta referência pois obtive os melhores resultados de sempre. O facto da massa estar mole logo à partida também pode ser sido um factor a favor. 

Será interessante voltar a repetir este teste com massa mais antiga ou temperaturas mais baixas que obriguem a manusear mais a massa.




No caso da Sculpey temos dois tons de translúcidos: o translúcido e o branco translúcido. Eles à primeira vista, quando olhamos para as embalagens são praticamente idênticos. Eles têm já um tom meio amarelado e por isso não é expectável que depois de cozido este tom mude muito.  

Após a cozedura nota-se uma diferença ligeira de tom sendo que o branco translúcido é menos amarelado que o translúcido.



A grande diferença entre estas duas referências parece ser o facto do branco translúcido ter na sua composição branqueadores ópticos cujo objectivo é tornar o tom da massa menos amarelado. Esta diferença é bastante visível quando expomos as amostras a luz UV, no entanto sob luz natural não é uma diferença assim tão pronunciada. De todas as amostras estas foram as que ficaram com um maior efeito flocado, não à superficie mas sobretudo visível a contraluz.

 


O translúcido da Cernit já por si tem uma óptima reputação e não falhou. Um óptimo branco translúcido e praticamente isento de bolhas de ar. Ligeiramente mais translúcido que o da FIMO. O único senão ( que neste caso funcionou a favor) é o facto de ser uma massa extremamente mole o que pode dificultar o seu manuseamento no Verão. Por outro lado praticamente não foi necessário amassar, o que deverá ter reduzido em quase 100% as indesejadas bolhas de ar. 




Finalmente testámos uma marca que é conhecida essencialmente pelos seus fantásticos translúcidos - a Pardo. A Pardo é uma massa à base de cera de abelha e é algo difícil de trabalhar pois esfarela bastante quando a tentamos preparar.  Esta massa levou alguns minutos para ficar no ponto certo para conseguir ser esticada.  Foi de todas a que de facto ficou mais translúcida mas também com bastantes veios visíveis, o que poderá ser um efeito muito interessante conforme o objectivo pretendido. Para criar imitações de pedra acho fantástico! 



De uma forma geral posso dizer que continuo bastante fã da Cernit!!!  A Fimo foi também uma boa surpresa talvez devido a alguma mudança na fórmula. 


Para finalizar, caso a massa amareleça ( neste caso Fimo e Cernit) o problema estará na temperatura do forno. A cor não é suposto alterar e deverá ficar branquinha conforme as fotos acima.  Quando cozemos cores sólidas a temperaturas mais elevadas do que o suposto elas podem escurecer ligeiramente sem se notar muito na peça final.
No entanto quando estamos a trabalhar com translúcidos este problema é muito mais visível pois afecta bastante a cor. 
Assim se tens problemas com amarelecimento da massa deverás verificar a temperatura do forno , recorrendo a um termómetro de forno (os que vêm incorporados muitas vezes são imprecisos) ou então experimenta cobrir as peças com uma folha de aluminio.